Cânions do Sul do Brasil: Itaimbezinho e Fortaleza

Nessa época de dólar, euro e libra na casa da mãe Joana, nada melhor do que aproveitar pra conhecer seu próprio país. Neste post, te apresento os Cânions do Sul do Brasil, que ficam nas cidades de Cambará do Sul (RG) e Praia Grande (SC).

Já ouviu falar em Cânion Malacara, Cânion Itaimbezinho e Cânion Fortaleza?

Eu os conheci em setembro de 2015 e o que descobri é o que muitos já sabem: o Brasil é mesmo um país fantástico! E neste post você vai se apaixonar mais um pouquinho pelo nosso país.

Mas vamos ao que interessa: você sabia que no Brasil temos Cânions? E que eles são lindos? E que tem estrutura de turismo bacana? E que a maioria dos turistas que frequentam são gringos? Sim, nossos cânions são mais conhecidos lá fora do que aqui dentro.

Neste post você verá:

  • Quais Cânions conhecer
  • Como chegar aos Cânions do Sul do Brasil
  • Como são os Cânions, o que tem pra ver e fazer neles
  • Quanto custa cada passeio
  • Onde se hospedar em cada cidade

Uma viagem pelo sul do Brasil: Cânion Malacara, Cânion Itambezinho e ao Cânion Fortaleza

Malacara, Itaimbezinho e Fortaleza são os nomes dos 3 Cânions que temos no Sul do Brasil, entre as cidades de Praia Grande no estado de Santa Catarina e Cambará do Sul, no estado do Rio Grande do Sul. Parece longe mas não é, as cidades são vizinhas.

Os cânions ficam dentro do Parque Nacional de Aparados da Serra e da Serra Geral. Estão abertos o ano todo, mas é preciso confirmar bem os dias e horários de visita pois algumas trilhas tem limite de horário para entrada, assim como algum dia da semana em que estão fechadas. Deixo aqui o site oficial para que você cheque essas informações antes de ir. 

Nos meses de primavera e verão as Andorinhas e Andorinhões – aves migratórias – vem aos Aparados da Serra para escapar do inverno no Hemisfério Norte e proporcionam um espetáculo à parte junto às Cachoeiras do Canyon Itaimbezinho.

Cânion Malacara

Este cânion é menos conhecido, portanto um dos menos visitados. De uma beleza única e ainda muito selvagem, possui 3,5km de extensão e uma profundidade de 700 metros aproximadamente.

Trilha do Cânion Malacara

Trilha do rio do boi
Foto marrenta com cajado e tudo durante a trilha do Cânion Malacara

Onde fica: Praia Grande, SC.

Como é: a trilha só pode ser feita com o guia. Nós fizemos com o Giovani Bittencourt da Tribo dos Canyons. Um sujeito tranquilo, simpático e que conhece esses cânions como ninguém. Aqui era seu playground quando criança. Rapaz sortudo.

Quanto custa: o passeio dura em média 4h e custa em torno de R$85 por pessoa. Depende se você fechar direto com o guia ou via pousada. Sugiro que vá direto com o guia.  Contato: [email protected]

O percurso é suave, não tem muitas subidas. Pode confiar.

Onde se hospedar: para fazer o passeio por este cânion, o melhor é se hospedar na cidade de Praia Grande mesmo. Nos hospedamos na Pousada Aracema. A pousada é super bem cuidada, possui uma área verde bem bonita, um espaço para fazer uma fogueira e ficar contemplando as estrelas com o estalar da lenha de trilha sonora. Café da manhã delicioso.

Pousada Aracema - Praia Grande SC
Pousada Aracema em Praia Grande, Santa Catarina.

Cânion Itaimbezinho

Você pode conhecer o Cânion Itambezinho por cima e/ou por baixo. Nós fizemos os dois passeios e abaixo mostro como são as trilhas e formas de conhecê-lo.

Conhecendo o Cânion Itaimbezinho por cima:

 

Itaimbezinho

Onde fica: Cambará do Sul, RS

Como é: este é o cânion mais famoso do Parque Nacional dos Aparados da Serra e também o maior da América do Sul com uma extensão de 5800m e uma largura que alcança os 200m. Seu nome vem do Tupi Guarani que significa pedra afiada. As paredes rochosas do Itaimbezinho chegam a uma altura de até 700m.

Há duas principais trilhas, a do Vértice com 45min de caminhada que dá acesso as bordas do cânion chegando até a cascata das Andorinhas e a do Cotovelo, que foi a que fizemos. A trilha do Cotovelo, apesar de ter 6km ida e volta é beeeem leve. A mesma chega até o Mirante do Cotovelo que proporciona uma visão panorâmica do cânion.

Quanto custa: a entrada ao cânion custa R$7 por pessoa + R$5 pelo carro. Aberto de terça a domingo, das 8h às 17h. O último horário de saída para trilha é às 15h.

Onde se hospedar: há várias opções de pousadas fofas em Cambará do Sul. Nós resolvemos gastar investir um pouco mais e nos hospedamos no Parador Casa da Montanha. Além de estar super bem localizado entre os cânions Itaimbezinho (9km) e Fortaleza (23km), oferece a experiência de “acampar” em meio à natureza sem a parte do perrengue de dormir em saco de dormir, tomar café coado na meia, passar frio na madruga e tal, rs…

Hotel Parador Casa da Montanha
Hotel Parador Casa da Montanha em Cambará do Sul

As barracas são térmicas, inspirada nos lodges Africanos. A decoração é absurdamente charmosa, cada barraca tem uma decoração diferente. Tudo feito com muita atenção aos detalhes e com muita qualidade.

No fim da tarde, eles fazem um encontro para celebração do por do sol. Os hóspedes ficam em volta da lareira, contemplando o dia que se vai, tomando um vinhozinho, jogando conversa fora, lembrando de agradecer a vida…

O café da manhã é incrívelmente incrível, além da variedade de deliçuras pra comer, a decoração, as louças, as vistas, tudo, é lindo demais. Rústico, com um quê de luxo. Acho que essas palavras definem melhor.

Ah, o hotel oferece ainda jacuzzi, casa de banho pros hóspedes que estão em barracas que não possuem chuveiro próprio (não faz cara de nojinho, é super limpo, estamos falando de um hotel top), cavalos pra fazer uma passeio pela propriedade, fondue pra jantar, enfim… já te convenci, né?!

Chalé Hotel Parador Casa da Montanha

Eu amei! Quero voltar e ficar mais dias. Ficamos apenas uma noite.

Conhecendo o Cânion Itaimbezinho por baixo:

Trilha do Rio do Boi

Trilha do Rio do Boi - Canion Malacara

Onde fica: também em Praia Grande, SC

Como é: esta trilha é por dentro do caniôn Itaimbezinho, no Parque Nacional Aparados da Serra. A caminhada é feita dentro da fenda do Itaimbé e no leito do Rio do Boi. É indiscutivelmente uma das mais belas caminhadas do parque pela variedade da paisagem: de Mata Atlântica a cachoeiras que formam piscinas de águas límpidas e naturais.

A trilha começa com uma subida de 3km mata adentro até chegar às margens do rio. Do rio até o “ponto final” são mais 4km. O percurso de ida e volta é de 14km, com parada para lanche, contemplação e fotos, muitas fotos. Tempo total: 7h aprox.

Considerada de alto grau de dificuldade. A maior parte da caminhada é feita nas pedras que margeiam o rio e cobrem seu leito. Há ainda necessidade de atravessar o rio, 18 vezes no total, e em alguns pontos a profundidade da água chega a altura dos joelhos. Parece assustador, mas não é, é bem do gostoso. Ah, muito importante, se puder ir com bota impermeável é melhor do que ir de tênis.

Trilha do Rio do Boi - Canyon Itaimbezinho
em uma das 18 travessias pela Trilha do Rio do Boi, no Cânion Itaimbezinho

Quanto custa: R$135 aprox. Mesmo esquema da trilha Malacara que expliquei acima.
Sugiro que vá direto com guia. O nosso foi o Giovani Bittencourt da Tribo dos Canyons. Contato: [email protected]

Cânion Fortaleza

Por último, e o mais famoso dos Cânions do Sul do Brasil: o Cânion Fortaleza.

E aqui conto a trágica, se não fosse cômica, experiência que tivemos.

Fizemos a trilha da parte de cima Itaimbezinho pela manhã, depois passamos numa padoca na cidadezinha de Cambará do Sul, pegamos um sanduba natural e partimos pro Cânion Fortaleza.

Estrada sinuosa, pista simples, 23km até chegar na entrada do parque. Duuuu-nada, já na estrada de terra do parque, avisto uma nuvem linda, branca, gigantesca atravessando a estrada. Grito: “PÁRA! PÁRA! PÁRA!” – a la João Kleber – pro marido para o carro.

Obviamentchy preciso fazer uma foto S A I N D O da nuvem, no meio da estrada, neste visu super bucólico. Olha a foto abaixo se não compensou?

Neblina Canyon Fortaleza

Tá querendo uma igual, né? rs

Voltando…. passamos a nuvem, mas a nuvem não passou a gente. Continuamos dirigindo bem devagar até o ponto onde você deixa o carro e continua a pé, até chegar ao Mirante do cânion Fortaleza. Na caminhada, mais e mais nuvens, impedindo a visibilidade. Se meu braço tivesse mais de 1m, não daria pra ver os dedos, pra você ter uma ideia de como estava bacana.

Caminhamos por mais uns 10min e encontramos um casal voltando. Perguntamos sobre a vista e eles nos incentivaram: “enfrentem as nuvens, porque lááááá na frente as nuvens desaparecem e vocês vão chegar ao mirante onde se vê um dos cânions mais lindos do mundo”. Essa frase me pegou, continuamos na caminhada, literalmente à cegas.

Nessa caminhada percebi que o Brasil não tá naquele preparo todo pro turismo de aventura, ainda. A trilha até o mirante é de 30min aproximadamente e não tem um corrimão, uma plaquinha sinalizando o caminho, um caminho de pedrinhas pra seguir, não tem nada. Nada. É um sobe e desce no meio de mato, barranco, “trilhas” gastas… e a coisa só piora com a falta de visibilidade.

Bom, dado momento, começou uma subida, subimos muito, não dava pra ver um passo a frente, eu quase me perdi do marido. E dai que começou a dar um desespero né, como não? Desespero de pensar que estava em um cânion, isso significa que a qualquer hora o chão vai acabar, o abismo vai aparecer. Eu tava subindo pra onde? O fim da subida tava distante ou próximo? O que era o fim da subida? Apavorei sim, não vou negar.

Como se não bastasse todo o “quase pânico”, entre aspas, pra encorajar meu espírito aventureira ferido, duuuu-nada (outra vez), aconteceu outra coisa: começou a C H O V E R!!!

Mas a chuva era tímida, chovia pouco, o que dificultou no meu trabalho de convencimento do marido a voltarmos. Tive que compartilhar meus pensamentos de morte por queda com ele pra que ele entendesse que realmente tava sofrido pra mim, precisávamos  desistir e voltar. Relutante, aceitou.

Antes de voltar, ele faz uma foto do meu medo:

Olha a chuva!
Apesar de todo pânico dentro de mim, eu amo essa foto.

Se a ida estava tensa, é porque você não faz ideia do que foi a volta. A chuva aumentou muito e não apenas em quantidade de água, começou a chover granizo! Sim, começou a chover G R A N I Z O, tem noção?

Era cada pedrada na minha cabeça, braço, perna, cara, que por um momento entendi o que deve ser, ser metralhado. Sem zueira. E eu só pensava no carro, lá parado, tomando esses tiros…

Enfim… nunca tentei correr tanto na minha vida, nunca mesmo, porque o chão virou lama, então não rolava correr. Imagina além de tudo ainda correr cair, quebrar algo… Sem chances de manter a positividade naquela experiência gente, foi foda.

Chegamos ao carro ensopados, a chuva agora além de água abundante e granizo, também contava com a ajuda do amigo vento. Entramos no carro e ficamos lá molhados, com frio, sem roupa seca e morrendo de medo real. O carro balançava de tanto vento.

Esperamos a chuva amenizar pra sair do parque, o que também foi tenso. A estrada até o cânion Fortaleza é de terra e nós não estávamos num 4×4. Eu só imaginava o carro atolando e a gente tendo que dormir lá até alguém aparecer pra resgatar a gente, porque celular também não pega lá, claro.

E detalhe: ninguém da nossa família ou amigos sabia que estávamos lá, que esse era o nosso passeio do dia. E aprendemos uma lição: nunca fazer um turismo de aventura sem compartilhar nosso roteiro com alguém da família.

Bom, por estar aqui escrevendo este post, vocês podem perceber que SOBREVIVEMOS. Obrigada a todos os santos protetores dos turistas de aventura despreparados.

Portanto, após esse pseudo filme de terror, agora vocês podem entender porque a beleza do Fortaleza ficará pra uma próxima oportunidade pra mim, né?

De maneira alguma essa história é pra te desencorajar, pelo contrário. Eu fui em setembro e dizem que nos meses de setembro e outubro é assim mesmo. Então minha gente, planeje essa viagem pra qualquer um dos 10 meses restantes do ano.

Ah, eu fui dirigindo de São Paulo até lá, durante uma viagem por Santa Catarina – mas para quem voar até lá, depois pode alugar um carro para chegar nos cânions. Cote na RentCars, eles fazem uma comparação de várias locadoras.

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4 thoughts on “Cânions do Sul do Brasil: Itaimbezinho e Fortaleza

  1. Tive o privilégio de visitar os Canions Itambézinho e Fortaleza. São lugares lindos e que devem ser visitados por todas as pessoas que amam a natureza. Parabéns pela postagem sobre turismo alternativo e de aventuras.

  2. ANNE MARIE GEBERS disse:

    Já está na minha lista. Qual a época do ano que vc indica a visita?

    1. Oi Anne, eu fui em setembro, fim do inverno. De dia estava bem calor e de noite esfriava, bem gostoso. No inverno os rios ficam baixos, então as travessias te molham até o joelho. A água é beeeem fria. O guia que pegamos disse que no verão é mais gostoso porque dá para nadar durante as trilhas. Acho que a pior época deve ser julho/agosto porque é muito frio. O resto do ano tranquilo. Bjs e boa viagem, flá

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