Cânions do Sul do Brasil: Itaimbezinho e Fortaleza
Brasil Sul

Cânions do Sul do Brasil: Itaimbezinho e Fortaleza

Se lança pros Cânions do Sul do Brasil, lá em Cambará do Sul (RG) e Praia Grande (SC). Os cânions são o Itaimbezinho e Fortaleza.

Nessa época de dólar, euro e libra na casa da mãe Joana, nada melhor do que aproveitar pra conhecer seu próprio país. Quem acompanha o Se Lança pelo Instagram, tem visto que andamos perambulando mais pelas bandas de cá.

E o que tenho descoberto é o que muitos já sabem, o Brasil é mesmo um país fantástico. Faltam dias de férias para tantos lugares incríveis que temos pra conhecer nesse Braséélll.

Mas vamos ao que interessa: já ouviu falar que no Brasil temos Cânions? E que eles são lindos? E que tem estrutura de turismo bacana? E que a maioria dos turistas que frequentam são gringos? Sim, nossos cânions são mais conhecidos lá fora do que aqui dentro.

COMO CHEGAR AOS CÂNIONS DO SUL?

QUAIS CÂNIONS CONHECER, COMO CHEGAR, QUANTO CUSTA, COMO SÃO, ONDE SE HOSPEDAR, CONTATOS… ai vai, tudo junto e misturado.

Cânion Itaimbezinho

Este cânion é pouco conhecido, portanto um dos menos visitados. De uma beleza única e ainda muito selvagem, possui 3,5km de extensão e uma profundidade de 700 metros aprox.

Você pode conhecê-lo por cima ou por baixo. A seguir, as trilhas e formas de conhecê-lo.

Por baixo:

Trilha do Cânion Malacara

Trilha do rio do boi
ahhh, meu cajado S2

Onde fica: Praia Grande, SC.

Como é: a trilha só pode ser feita com o guia. Nós fizemos com o Giovani Bittencourt da Tribo dos Canyons. Um sujeito tranquilo, simpático e que conhece esses cânions como ninguém. Aqui era seu playground quando criança. Rapaz sortudo.

O passeio dura em média 4h e custa em torno de R$85 por pessoa. Depende se você fechar direto com o guia ou via pousada. Sugiro que vá direto com o guia.  Contato: [email protected]

O percurso é suave, não tem muitas subidas. Pode confiar.

Onde se hospedar: para fazer o passeio por este cânion, o melhor é se hospedar na cidade de Praia Grande mesmo. Nos hospedamos na Pousada Aracema. A pousada é super bem cuidada, possui uma área verde bem bonita, um espaço para fazer uma fogueira e ficar contemplando as estrelas com o estalinho das madeiras e vinho à noite, cavalos e café da manhã delicioso.

Pousada Aracema - Praia Grande SC
Relaxando na Pousada Aracema

Trilha do Rio do Boi

Trilha do Rio do Boi - Canion Malacara

Onde fica: também em Praia Grande, SC

Como é:  esta trilha é por dentro do caniôn Itaimbezinho, no Parque Nacional Aparados da Serra. A caminhada é feita dentro da fenda do Itaimbé e no leito do Rio do Boi. É indiscutivelmente uma das mais belas caminhadas do parque pela variedade da paisagem: de Mata Atlântica a cachoeiras que formam piscinas de águas límpidas e naturais.

A trilha começa com uma subida de 3km mata adentro até chegar às margens do rio. Do rio até o “ponto final” são mais 4km. O percurso de ida e volta é de 14km, com parada para lanche, contemplação e fotos, muitas fotos. Tempo total: 7h aprox.

Considerada de alto grau de dificuldade. A maior parte da caminhada é feita nas pedras que margeiam o rio e cobrem seu leito. Há ainda necessidade de atravessar o rio, 18 vezes no total, e em alguns pontos a profundidade da água chega a altura dos joelhos. Parece assustador, mas não é, é bem do gostoso. Ah, muito importante, se puder ir com bota impermeável é melhor do que ir de tênis.

Trilha do Rio do Boi - Canyon Itaimbezinho
em uma das 18 travessias…

Valores: R$135 aprox. Mesmo esquema da trilha Malacara que expliquei acima.
Sugiro que vá direto com guia. O nosso foi o Giovani Bittencourt da Tribo dos Canyons.  Contato: [email protected]

Por cima:

Cânion Itaimbezinho

Itaimbezinho

Onde fica: Cambará do Sul, RS

Como é: este é o cânion mais famoso do Parque Nacional dos Aparados da Serra e também o maior da América do Sul com uma extensão de 5800m e uma largura que alcança os 200m. Seu nome vem do Tupi Guarani que significa pedra afiada. As paredes rochosas do Itaimbezinho chegam a uma altura de até 700m.

Há duas principais trilhas, a do Vértice com 45min de caminhada que dá acesso as bordas do cânion chegando até a cascata das Andorinhas e a do Cotovelo, que foi a que fizemos. A trilha do Cotovelo, apesar de ter 6km ida e volta é beeeem leve. A mesma chega até o Mirante do Cotovelo que proporciona uma visão panorâmica do cânion.

A entrada ao cânion custa R$7 por pessoa + R$5 pelo carro. Aberto de terça a domingo, das 8h às 17h. O último horário de saída para trilha é às 15h.

Onde se hospedar: há várias opções de pousadas fofas em Cambará do Sul. Nós, resolvemos gastar investir um pouco mais e nos hospedamos no Parador Casa da Montanha. Além de estar super bem localizado entre os cânions Itaimbezinho (9km) e Fortaleza (23km), oferece a experiência de “acampar” em meio à natureza sem a parte do perrengue de dormir em saco de dormir, tomar café coado na meia suja, passar frio na madruga e tal, rs…

Hotel Parador Casa da Montanha
Hotel Parador Casa da Montanha

As barracas são térmicas, inspirada nos lodges Africanos. A decoração é absurdamente charmosa, cada barraca tem uma decoração diferente. Tudo feito com muita atenção aos detalhes e com muita qualidade. No fim da tarde, eles fazem um encontro para celebração do por do sol. Os hóspedes ficam em volta da lareira, contemplando o dia que se vai, tomando um vinhozinho, jogando conversa fora. Coisa boa da vida. Que mais? O café da manhã é incrívelmente incrível, além da variedade de deliçuras pra comer, a decoração, as louças, ai gente, coisa phyna demais! Rústica e fina. Acho que essas palavras definem melhor. Ah, e tem jacuzzi, casa de banho pros hóspedes que estão em barracas que não possuem chuveiro próprio (não faz cara de nojinho, é super limpo, estamos falando de um hotel top), cavalos pra fazer uma passeio pela propriedade, fondue pra jantar, enfim… te convenci?

Chalé Hotel Parador Casa da Montanha

Eu amei! Quero voltar e ficar mais dias. Ficamos apenas uma noite. Não vejo a hora.

Cânion Fortaleza

E por último, mas não menos importante, tem o Cânion Fortaleza. E aqui conto a trágica, se não fosse cômica, experiência:

Fizemos o Itaimbezinho pela manhã, passamos numa padoca, pegamos um sanduba natural e partimos pro Fortaleza.  Estrada sinuosa, pista simples, 23km até chegar na entrada do parque. Duuuunada, já na estrada de terra do parque, avisto uma nuvem linda, branca, gigantesca atravessando a estrada. Grito: “PÁRA! PÁRA! PÁRA!” pro marido, que se não tivesse acostumado com a loucura, teria partido naquele instante. Obviamentchy, preciso fazer uma foto S A I N D O da nuvem, no meio da estrada, nesta cena super bucólica. Olha a pic abaixo se não compensou?

Neblina Canyon Fortaleza

Tá querendo uma igual, né? rs

Voltando…. passamos a nuvem, mas a nuvem não passou a gente. Continuamos dirigindo bem devagar até o ponto onde você deixa o carro e continua a pé, até chegar ao Mirante do cânion. Na caminhada, mais e mais nuvens, impedindo a visibilidade a mais de 1m de distância. Caminhamos uns 10min e encontramos um casal voltando, perguntamos sobre a vista e eles nos incentivaram a “enfrentar as nuvens, porque lááááá na frente ela desaparece e você chega ao mirante onde se contempla um dos cânions mais lindos do mundo”. Essa frase me pegou, continuamos na caminhada quase cega.

Ai você que o Brasil não tá naquele preparo todo pro turismo de aventura. A trilha até o mirante é de 30min aprox, não tem um corrimão, uma plaquinha, um caminho de pedrinhas pra seguir, nada, é um sobe e desce no meio de mato, barranco, “trilhas” mal gastas… e a coisa só piora com a falta de visibilidade. Bom, dado momento, começamos a subir um morro, subir muito, não dá pra ver um passo a frente, eu quase me perdi do marido. Começou a me dar um desespero de pensar que estava em um cânion e podia a qualquer momento chegar ao fim daquele morro e cair, apavoro total.

Ai como se não bastasse todo o quase pânico, começa a C H O V E R!!! Pouco, o que dificulta no trabalho de convencimento do marido a voltarmos. Tive que compartilhar meus pensamentos de morte por queda com ele pra que topasse desistir e voltar. Relutante, aceita.

Antes de voltar, pausa pra mais uma foto, claaaro.

Olha a chuva!
Olha a chuva!

Se a ida estava tensa, é porque você não faz ideia do que foi a volta. A chuva aumentou, não apenas em quantidade de água, mas também em granizo! Sim, começou a chover G R A N I Z O, tem noção? Era cada pedrada na minha cabeça, corpo, cara, que por um momento entendi o que é ser metralhado. E eu só pensava no carro, lá parado, tomando esses tiros…

Enfim… nunca tentei correr tanto na minha vida, porque obviamente o chão virou lama, então não rolava correr, cair, quebrar algo, né mesmo? Foi FODA!

Chegamos ao carro ensopados, a chuva agora além de água abundante e granizo, também contava com a ajuda do amigo vento. Entramos no carro e ficamos lá morrendo de molhados e morrendo de medo até a chuva amenizar.

Pra sair do parque foi tenso também porque a única coisa que faltava era atolarmos o carro e ficarmos lá forever, porque celular também não pega, claro. Ninguém sabia que estávamos lá.

Bom, por estar aqui escrevendo este post, vocês podem perceber que só isso faltou acontecer. Obrigada a todos os santos protetores dos turistas de aventura despreparados.

Portanto, após esse pseudo filme de terror, agora vocês podem entender porque a beleza do Fortaleza ficará pra uma próxima oportunidade pra mim 😉

Algumas fotinhas abaixo.

(Ah, eu fui dirigindo de São Paulo até lá, durante uma viagem por Santa Catarina – mas para quem voar até lá, depois pode alugar um carro para chegar nos cânions. Cote na RentCars, eles fazem uma comparação de várias locadoras).

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04 Comments

  1. Antonio

    Tive o privilégio de visitar os Canions Itambézinho e Fortaleza. São lugares lindos e que devem ser visitados por todas as pessoas que amam a natureza. Parabéns pela postagem sobre turismo alternativo e de aventuras.

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  2. ANNE MARIE GEBERS

    Já está na minha lista. Qual a época do ano que vc indica a visita?

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    • Fla Locci

      Oi Anne, eu fui em setembro, fim do inverno. De dia estava bem calor e de noite esfriava, bem gostoso. No inverno os rios ficam baixos, então as travessias te molham até o joelho. A água é beeeem fria. O guia que pegamos disse que no verão é mais gostoso porque dá para nadar durante as trilhas. Acho que a pior época deve ser julho/agosto porque é muito frio. O resto do ano tranquilo. Bjs e boa viagem, flá

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